Apesar do susto inicial, a alegria dominou o desfile, embalado pelo forte samba que animou o público. O problema na alegoria foi contornado pelos técnicos da escola, e o desfile transcorreu normalmente. O enredo contava a difícil história de Odú Obará, um babalorixá que era menosprezado pelos irmãos. A lenda conta que o babalorixá foi recompensado por seus gestos de humildade com os irmãos, mesmo após ser destratado.
Na passarela, a história foi contada com brilho e diversas referências à natureza. A comissão de frente apresentou ao público os orixás que compõem a religião africana, como Iemanjá, Oxum, Obaluaê, Oxóssi, Xangô, Oxumaré, e outros deuses que representam elementos da natureza. Os integrantes da comissão dançaram como os orixás, com passos dos rituais e celebrações africanas.
No primeiro carro alegórico, a Mancha apresentou o mundo em decomposição, com grandes esculturas de peixes mortos, detalhes em material reutilizado, como caixas, pneus, garrafas e outros elementos. A proposta era mostrar como a natureza está poluída por falta de humildade dos homens, que não respeitam os elementos naturais como a religião do Candomblé prevê.
Para reverter esse quadro, o babalorixá Odú Obará recorre aos búzios, na segunda alegoria chamada "A Resposta Que Vem dos Búzios". O carro mostrou duas grandes esculturas representando o babalorixá e Exu, seu mensageiro, jogando os búzios para aprender como mudar a situação da natureza. As alas mostraram a contribuição dos diferentes orixás para a regeneração da paisagem que estava degradada. A mensagem foi transmitida com diversidade de cores, em tons intensos que produziram bonito colorido no amanhecer do sambódromo.
A revitalização já começa a ser mostrada com o carro "A Recompensa de Odú Obará", em que o babalorixá é agraciado pelos deuses por seu gesto de humildade com os irmãos. O carro retratou a casa simples de Odú Obará, e os presentes recebidos. Em cada ala, os presentes foram detalhados nos adereços e nas fantasias, mostrando o poder medicinal das folhas, a relação com os animais e com a terra.
Em seguida, o desfile mostrou como o homem conseguiu entender a lição de humildade, e aceitou a missão de rever sua relação com a natureza. Com cores ainda mais vibrantes, em tons de branco, azul e amarelo, a escola soube aproveitar o horário do seu desfile para produzir efeitos visuais em suas alegorias, adereços e fantasias.
No seu último carro, as mesmas esculturas exibidas no carro abre-alas reaparecem agora cobertas de beleza e brilho, sem destruição. Os grandes peixes nas laterais aparecem exuberantes, rodeados por plantas, e uma grande onda azul representando a força das águas. Como último destaque, o ex-goleiro do Palmeiras, Marcos, a quem os puxadores reverenciaram como exemplo de humildade.
Fonte: Terra




