O analista de informática André*, casado há sete anos, vive um desafio desde o esperado nascimento do filho, há seis meses. “A experiência de ser pai tem sido maravilhosa. Durante a gestação não houve nenhuma perda na nossa vida afetivo-sexual, mas agora a energia da minha mulher é tão canalizada para o bebê que não tem sobrado muito espaço. Sexo não pode deixar de ser importante, senão o casal vira irmão. Aí é a morte da relação”, diz.
O caso é mais comum do que se imagina. “Tive minha primeira filha há dois anos e três meses. De lá pra cá não tenho vontade nenhuma de namorar meu marido. Nem lembro mais que ele está ao lado na minha cama. Às vezes, invento desculpas e coloco nossa filha para dormir junto com a gente. O que está acontecendo?”, questiona a paranaense Silvana*.
Vínculo
Uma das razões para o comprometimento exagerado é o vínculo psicológico absoluto – e equivocado – com o bebê. A mãe quer proteger seu bebê de todo o mal e acha que só a sua presença e cuidado é capaz de salvá-lo. Mas uma relação mãe-bebê saudável é aquela em que a mãe acredita que seu bebê existe, desde o começo, como um ser independente.
“Após a maternidade as mães entram em uma espécie de bolha com o bebê. Esta passagem deve ser temporária e, para o bem dela e do bebê, é preciso romper isso. A boa mãe não é aquela que não desgruda da cria, mas aquela que sabe sair e voltar”, explica o psicanalista Mário Corso.
No livro “A Arte de Amar”, o psicanalista Erich Fromm diz que a mãe deve não só tolerar, mas também desejar e dar apoio à separação do filho. “O pai é o primeiro a entrar na vida da dupla, o que ajuda o filho a sair. Se isso falhar, as consequências são bem trágicas para o pequeno. Não se trata apenas de um pai se sentindo abandonado. Se um filho fica ancorado nessa posição de farol da vida para a mãe, vai ser mais difícil sair depois. É ele que vai pagar essa conta mais tarde”, explica Corso.
Fonte: IG




